Finalmente acabei de ler um livro interessantíssimo sobre Linux: “Só por Prazer: Linux, os Bastidores da Sua Criação”. É escrito pelo próprio Linus Torvalds e um jornalista chamado David Diamond. A maior parte dos capítulos estão em primeira pessoa, onde o Linus conta suas aventuras antes, durante e depois de conceber o Linux. É praticamente uma biografia, mas sem os detalhes desinteressantes aos nerds!
Linus conta que foi incentivado pelo avô, matemático e estatístico da Universidade de Helsinque, a fazer cálculo em uma simples calculadora eletrônica. Ganhou de seu avô um Commodore VIC-20 e começou a programá-lo em BASIC, fazendo uma calculadora mais rápida que a calculadora eletrônica do seu avô. Passou por computadores como o Commodore VIC-20, o Commodore 64 e depois o Amiga. Mais tarde, comprou um Sinclair QL, e no fim dos anos 80 ele tomou contato com os computadores IBM/PC e em 1991 comprou um 80386. Já programava em Assembly, e se divertiu com a linguagem Forth no Sinclair QL. Com experiência em linguagem C e com a bagagem de vários computadores insuficientes, Linus, em uma tentativa de desenvolver um sistema operacional Unix-like que rodava em processadores Intel 80386, alterou e adaptou o kernel do Minix e com a ajuda do GCC da GNU para sua utilidade pessoal (inicialmente), criou um emulador de terminal para acessar o computador da universidade de sua casa. Através da Usenet, com um e-mail para o newsgroup comp.os.minix, ele pedia algumas ajudas para seu projeto e logo colocou o código-fonte em um FTP público, recebendo bastante ajuda de vários programadores Minix. Seguindo com seu projeto e começando a criticar os pontos fracos do Minix, começa discussões sobre melhorias para o Minix, recebendo críticas até de Andrew Tanenbaum (criador do Minix e autor de vários livros famosos de sistemas operacionais) com relação a divergências de kernel monolítico ou modularizado. Depois do lançamento da versão 1.0 do sistema operacional Linux, Linus começou a participar de palestras e entrevistas sobre o sistema de código-aberto em que milhões de programadores participam voluntariamente.
O livro também apresenta inúmeras curiosidades. Você sabia que…
… John Mad Dog é o padrinho da filha de Linus?
… Linux ía se chamar Freax?
… foi Tove, atual esposa de Linus, que convidou ele pra sair pela primeira vez e por email?
… o tux, pingüim símbolo do Linux, foi uma idéia de Tove Torvalds, esposa de Linus?
… Helsinque, a cidade da Finlândia onde Linus morava, chega a fazer cerca de 18 graus negativos no inverno?
… a Finlândia possui as melhores saunas do mundo?
… existe uma tecnologia chamada Jini?
… Linus agora mora na Califórnia?
Heheh, eu não sabia.
Por outro lado, algumas partes da tradução eu não gostei muito - mas foram poucas no meu ver. Pra começar, o tradutor utilizou algumas palavras grosseiras do português (e agora eu me pergunto: será que o Linus foi assim tão rude em inglês?). Também, sem querer (?), traduziu o nome Jon Mad Dog Hall para “cachorro louco”, que é a tradução literal mesmo, mas ninguém aqui chama o cara assim… O pior é que a todo momento ele referenciava ao Jon desta maneira. Poxa, isso foi mal… Tradução desnecessária aí. Bom, exceto estes detalhes, deu pra aprender coisas bem legais. Nem dá pra acreditar que um livro deste se encontra na biblioteca da UFSC, mas enfim… :X

Fiquei parando pra pensar… Acho que o Linus teve muita sorte. As pessoas simplesmente podiam nem ter ligado para o sistema operacional dele, que inicialmente era um Minix melhorado. Se ele tivesse posto à venda, é quase certo que não teria tido tanta repercussão. De qualquer forma, mesmo sendo open source e gratuito, essa idéia poderia muito bem não ter dado certo e ele teria jogado anos de trabalho fora. E imagine.. Coitado! Trabalhou tanto! Já quase não saía de casa, só ficava em função do ex-Freax. Nem tinha namoradas - sinceramente, eu não sei nem como ele conseguiu se casar. Na verdade, se Tove não tivesse dado a iniciativa, acho que o Linus talvez ainda estivesse solteiro… Não por ele ser boa pinta ou não, o fato é que ele não saía do quarto! Então, acredito que, lucrativamente falando, o desenvolvimento open source é praticamente um risco, pois não dá pra saber se vai ser um bom negócio de alguma maneira no futuro. Acho que se não fosse o Red Hat, o Linus não teria faturado os seus milhões inicias - talvez nem os atuais… Acho que isso é uma preocupação para alguém que desenvolve software livre. Afinal, nesse ramo, acho difícil se prever muito retorno financeiro, só satisfação pessoal mesmo. Realmente, só por prazer…
De modo geral, digo que é um livro que vale a pena ser lido. Ter a história como um todo em mente é muito importante pra quem usa software livre. É sempre bom ter argumentos. É sempre bom ter assunto para um papo nerd…
Eu recomendo!